O Museu Oscar Niemeyer (MON) realiza a primeira de uma série de mostras/homenagens a artistas que fazem parte do acervo do MON. O novo espaço, localizado no final do túnel, apresenta a exposição “Efigênia Rolim: A Poética do Resíduo”, a partir de 4 de setembro. 

A mostra reúne esculturas que pertencem à coleção permanente do MON, como “Guinea e as Três Marias”, “Vai o Carrinho com Cavaleiros e Anjinhos” e “Xamã (instrumento musical)”, além de um vídeo sobre a artista.

Nascida em Minas Gerais, em 1931, a artista e contadora de histórias ficou conhecida em Curitiba por ter iniciado suas produções após mudar-se para a capital paranaense, que a acolheu e a incorporou à sua paisagem cotidiana e ao seu cenário artístico. Efigênia Rolim nos deixou em março de 2026.

Sua obra surge de gestos simples e íntimos e de um ritual empírico e persistente de reorganizar o mundo a partir do que foi descartado. Efigênia costumava contar que, quando viu um papel de bala na rua brilhando ao sol, ficou encantada com aquela beleza simples, enxergando no papel infinitas possibilidades de criação.

Ao longo de décadas, a artista construiu uma linguagem singular que transforma resíduos – papéis, plásticos e fragmentos do cotidiano – em composições vibrantes, nas quais cor, ritmo e repetição se tornam formas de resistência e reinvenção.

Longe de qualquer hierarquia entre materiais “nobres” e “ordinários”, Efigênia afirma uma estética da sobrevivência, na qual cada elemento carrega memória, tempo e possibilidade. Seus trabalhos revelam não apenas um apuro formal – visível na organização minuciosa das superfícies –, mas também um princípio ético: a recusa do desperdício como recusa do esquecimento.

Esta mostra-homenagem propõe um encontro com a potência de seu fazer artístico. Ao reunir um conjunto reduzido de obras, a exposição convida o olhar a desacelerar. Cada peça, em sua densidade, expande-se para além de seus limites físicos, sugerindo narrativas que atravessam o cotidiano, a precariedade e a imaginação. Há, em sua produção, uma dimensão quase musical: padrões que se repetem e variam, criando uma cadência própria, ao mesmo tempo rigorosa e intuitiva.

Celebrar Efigênia Rolim é reconhecer uma trajetória que desafia as fronteiras entre arte e vida. Aqui, o que resta se reinventa – e, ao se reinventar, insiste em permanecer.

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Serviço
Mostra/homenagem “Efigênia Rolim: A Poética do Resíduo”
No final do túnel (subsolo MON)
A partir de 4 de setembro

www.museuoscarniemeyer.org.br

Publicado por

Museu Oscar Niemeyer

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